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O Espelho de Tarim

E então, o ser impuro estava definitivamente destruído. Vagando pelo castelo de Tarim, Elenhrívë sentia o peito apertado. Vagou, ignorando os demais, até o lago do castelo. Respirou fundo, e então as lágrimas fluíram suavemente, gotejando nas águas ainda escuras, que refletiam a lua.

Sentia-se envergonhada. Pela primeira vez desde o isolamento dos Bluemoon, o sangue de sua Casa havia manchado a terra. Pela primeira vez em milênios, um filho das fadas havia morrido. Trazido de volta da morte, mas a dor moral era insuportável.

Um murmúrio melancólico, ouvido apenas pelas águas negras.

— Então é isso... eu fracassei.

Sentiu o peso de sua infância que partia, e quase pôde ouvir o doloroso som da inocência que se estilhaçava. Por um segundo, curvou-se sob o peso do século que se acumulavam. Pois vira muitos homens, com suas vidas curtas, mortos, a beleza da vida conspurcada por algo vil. E ela não pôde fazer nada.
Além de suas terras, tudo o que podia encontrar era a dor e a traição, e o desespero.

Então algo agitou a superfície das águas. Um peixe saltou, exibindo, por alguns segundos, a tonalidade alaranjada de suas escamas, e causando ondas na água. Neste momento, teve a impressão de ver um reflexo azulado tingir a lua refletida, e seus pensamentos voltaram-se para as palavras de Kyana, que chegaram aos seus ouvidos através dos lábios do Oráculo.

— Não, não. Há ainda muito o que saber antes do fim. E não vou permitir que tudo o que é belo e bom acabe assim, sem resistência, e nem que coisas anti-naturais caminhe sob o sol ou sob a lua.
Assim disse para si mesma, embora estivesse um bocado perdida. E o Silvermoon que tinha virado pedra não disse para ela toda a sua história...

Yan, D’ravem e Aramil desciam as escadarias, indo ao seu encontro. Elenhrívë levantou-se, sentindo algo que nunca sentira dentro de si. Mas era gostoso, como uma uva madura e doce que, após ter a casca delicadamente partida, derrama seu néctar, alegrando o espírito. Tinha um cheiro gostoso como o da grama úmida na primavera. Sorriu para si mesma um sorriso novo, que deixou suas faces coradas. E, pela primeira vez em sua vida, encontrou algo diferente sobre a qual não quis explicações. Por mais que não soubesse o que era, talvez sua alma adivinhasse. Estava viva.

E havia as palavras do Oráculo. De alguma forma, o destino de um Bluemoon estava ligado mais uma vez ao dos humanos e, novamente, ao dos elfos de outras famílias.

E tal pensamento lhe pareceu encorajador.

 

[por Eva "Elenhrívë Bluemoon"]

 

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